“MAITA BASSA MANINGI”

junho 25, 2010

Oi gente, Paz e Bem! 

Envio para vocês um relato que recebi de minha querida irmã de comunidade Maísa, que atualmente é missionária na África. Suas palavras muito me tocaram e espero que toquem o coração de vocês também. Em tempos de copa do mundo na África, que tal também conhecer um pouco daquilo que Deus realiza através de seus servos neste continente tão especial. Quero também deixar minha alegria e dizer que tenho muito orgulho em ter vocês como meus irmãos de comunidade, vocês que se doam na África, os amo muito e vocês são em tudo exemplo de vida e vocação para mim. Abraço afetuoso a você Adélio, Fernanda, Maísa e todos os outros.

Uma excelente sexta-feira e um ótimo fim de semana! 

Com carinho, 

Fabiana Paula. 

“Só Deus, Deus em toda parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre” .(Santa Bernadete Soubirous) 

Estes dias tenho me perguntado como a face de Deus se manifesta com tanta clareza nos pobres, desfavorecidos, sofredores, esquecidos, aqueles que estão desprovidos dos interesses e cuidados humanos. Lembro-me então de São Paulo quando diz : 

“Quando sou fraco, então é que sou forte”, percebo que de fato é na fraqueza, na fragilidade do ser humano que a graça de Deus pousa e é manisfetada. 

Aqui na missão em Moçambique podemos perceber isto. Deus se manifesta no rosto deste povo, que em sua maioria vive numa luta constante pela sobrevivência. Podemos ver Deus meus irmãos, não na miséria ou sofrimento que eles vivem, mas no sorriso que se confunde com as lágrimas de um povo que traz uma alegria própria em seus corações, na coragem e disposição de trabalhar, particularmente das mulheres Moçambicanas, na ingenuidade dos jovens, mesmo diante da avalanche de tantas informações e modismos dos tempos atuais, na simplicidade e na esperança das crianças. 

Aqui junto com os missionários da Fazenda da Esperança trabalhamos com os internatos, feminino (com 84 meninas) e masculino (com 110 meninos), com o Hospital que atende cerca de 80 pessoas por dia e na medida do possível, com a evangelização nas comunidades, na medida do possível porque ainda não temos domínio do dialeto falado por eles. 

A administração do internato feminino fica sob a responsabilidade das missionárias da Fazenda da Esperança. Já o internato masculino, o Hospital e a parte da evangelização estão sob a nossa responsabilidade (Comunidade Obra de Maria). 

 No internato além da administração geral e financeira, trabalhamos também com os jovens a espiritualidade. Preparamos estes jovens para receber os sacramentos, a maioria deles nunca ouviu falar de Deus. Então aos sábados damos catequese, preparando para o Batismo, Primeira Comunhão e Crisma. 

No domingo, 06 de junho do presente ano, tivemos a alegria de preparar e celebrar o Batismo e Primeira Comunhão de 32 jovens e adultos na nossa Capela. Foi uma belíssima Celebração Eucarística, presidida pelo Pe. John Itaro, sacerdote da Congregação dos Padres Brancos Missionários da África, que acompanha a comunidade aqui em Dombe. Nesta ocasião estiveram presentes alguns familiares, padrinhos e amigos daqueles que iriam ser batizados, então aproveitamos para estender a evangelização para suas famílias. Após a celebração oferecemos um almoço para todos do internato e seus convidados, terminando o dia com muita música e dança, comum nos festejos daqui.  

No mês de Maio buscamos viver a intimidade com nossa Mãe querida e propagá-la aqueles que não tinham conhecimento dessa grande graça que nos foi dada por Deus, uma Mãe que vela, cuida e nos ama de forma singular. Apresentamos Maria para os meninos e meninas do internato, falando dela, ensinando e rezando o terço com eles, preparando junto com eles encenações bíblicas onde se fala dela. No penúltimo domingo do mês aconteceram as apresentações teatrais dos grupos, que foram divididos por ano de catequese. Foi com muita alegria e entusiasmo que vimos àqueles jovens falar de Maria, da importância dela na história da salvação através da arte de representar. Foram peças sobre a Anunciação, Visitação, Nascimento de Jesus, Bodas de Caná e ainda para não esquecer do nosso querido país, também foi acrescentado a história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nossa Padroeira. Foi uma grande festa aos cuidados do olhar materno. Encerramos no último sábado do mês com uma grande procissão com velas e a Imagem de Nossa Senhora a frente. Como aqui não tem energia elétrica, a luminosidade das velas na escuridão se confundia com o espetáculo do céu estrelado, dando ainda mais brilho e beleza a Imagem de Nossa Senhora e a cada um de nós seus filhos que contamos com sua intercessão e seu amor. 

No hospital encontramos em contraste com a dureza da realidade da situação da saúde no país, a certeza da ação de Deus. Muitas vezes podemos enxergar e tocar em seus milagres! Nossa natureza humana por vezes não compreende como pode as coisas serem tão atrasadas e precárias, em se tratando do respeito com a vida do ser humano, com a dignidade e o seu direito de viver.  Porém, tentamos fazer o mínimo e o melhor que podemos para aliviar e levar um pouco de conforto aos que chegam e a ação de Deus cuida do que não está ao nosso alcance.

As maiorias dos casos atendidos são de Malária (doença muito comum aqui), DST, crianças com desnutrição grave, anemia, Escabiose, Hanseníase (lepra), Disenteria, Verminoses, curativos para os vários tipos de feridas e queimaduras, já que na época do frio a demanda de crianças queimadas aumenta por procurarem se aquecer perto do fogo. Os casos mais graves e que fogem da assistência ambulatorial são encaminhados para o hospital da cidade mais próxima que fica há 2 horas de distância. 

Os remédios básicos que trabalhamos são fornecidos pela Secretaria de Saúde da província e os demais estão sob nossa responsabilidade de comprar. Porém nestes dois últimos meses sofremos com o atraso e até com o não envio desses remédios. É difícil trabalhar com esta inconstância, principalmente quanto a falta da medicação para malária, que é a maior demanda dos atendimentos, nos obrigando a liberar as pessoas sem a devida medicação.  

Apesar das dificuldades enfrentadas, nada se compara a satisfação que temos de nos fazer um com eles, de conseguir mesmo nas nossas incompreensões e lutas interiores enxergar o rosto de Deus neles, de ver um sorriso sincero ou escutar um bater de palmas (forma própria deles agradecerem e saldar) acompanhado das palavras “MAITA BASSA MANINGI” (muito obrigado) e de constatar que “Deus está em toda parte, em todos e em todas as coisas”. 

Saudamos todos vocês daqui do outro lado do mundo, na alegria da certeza que o Carisma nos une e nos impulsiona a lançar cada vez mais as redes para águas mais profundas. Estamos juntos e contamos com suas orações. 

Maísa

Missão de Dombe – Moçambique


Missão da Obra de Maria em Moçambique – África.

junho 29, 2009

Queridos do meu blog,

segue abaixo um novo relato de nosso missionário Adélio, na Missão de Moçambique. Sei que é um pouco longa a matéria, mas vale a pena, vocês não irão se arrepender.

Abraço fraterno e Boa Semana a todos.

Fabiana Paula.

A Missão de Dombe localiza-se na província de Manica, na Diocese de Chimoio. Surgiu há 80 anos, com o objetivo de favorecer aos jovens uma oportunidade de frequentarem a escola ficando internos na missao, uma vez que, estes jovens moram em lugares muito distantes da escola.
Os jovens internos são 190 entre rapazes e moças, numa faixa etaria de 13 a 23 anos. Em sua maioria falam a língua da província local o Ndal, mas há também alguns de províncias visinhas que falam o Chona, Chimanica, Tiute.
Daqui do internato sairão futuros líderes comunitários, pais e mães de família, catequistas, sacerdotes, médicos, advogados, agrônomos, enfim, por isso o objetivo de formá-los nos princípios básicos da cidadania, ética, vida moral e religiosa, para que esses jovens possam alcançar a realização pessoal dentro do plano de Deus para cada um. Ajudá-los a crescer como pessoa humana é um desafio de absoluta prioridade.
Parece-me que de uma forma globalizada a figura do educador está um pouco banalizada, os livros, artigos e revistas sobre educação abordam a crise sobre a qual esta passa, e aqui na África não é diferente, todavia, quando se há um empenho e objetivos com pessoas humanas como os que citei acima, é preciso encontrar a “coragem de educar”, mesmo ante a desafios étnicos e culturais como os que encontramos aqui na missão.
Confesso que por vezes não me sinto corajoso, mas encontro esta, contida na beleza dentro dessa tarefa tão difícil quanto fascinante, pois o que tenho a oferecer é a pouca experiência, mesmo que ainda seja algo pessoal, creio ser possível, ser acrescentada como novos conhecimentos  e partilhada com o fim de gerar novos frutos.
Ao começar o trabalho educativo aqui na missão, talvez pelo fato de que este me apaixonara, já tive logo várias idéias a respeito, contudo, sei que só o tempo obtido na convivência com os jovens é que me dirá o que poderá ser ou não aplicado, pois, bem sei que, na educação as teorias devem ser adaptadas com as realidades vigentes. Neste sentido, afirmo que, é a vida  cotidiana com o rapazes e moças do nosso internato, viver a existência deles, que é feita de tantas nuances, de forma que percebo muito mais riquezas do que todas as teorias antes já estudada, e ainda que tenha formação acadêmica, vejo que aqui na prática se faz a verdadeira aquisição do conhecimento. Aqui em meio a eles sou apenas um aprendiz que busca a cada dia experimentar como se pode querer bem a estes irmãos e irmãs que o Senhor me deu. Eu os observo, acompanho-os, esforço-me para compreender os seus dias, seus sentimentos, seus humores, diferenças de caráter, seus sonhos, expectativas, cansaços, vê-los crescer e tornarem-se adultos. Procuro estimular sua curiosidade pelo estudo, uso da liberdade pessoal e autonomia intelectual, o conhecimento,  o gosto pela vida espiritual, os valores éticos e humanos.
As vezes, tenho a impressão de tê-los nas mãos. Pouco depois, porém, surge uma nova situação e me perco, nao sei como agir. Busco uma fuga para rezar e peço ao Bom Deus a força para continuar  e não desejar abandoná-los. Para eles vejo que é importante saber que eu estou ali, e que me encontrarão quando tiverem necessidade, eles sabem que podem contar comigo a qualquer hora e para qualquer motivo.
Fazer-me um com eles, vejo que tem feito uma grande diferença, isto não é apenas compartilhar de suas experiências, o lazer, o estudo, a oração, o alimento, as incertezas, nem tão pouco, sentir-me feliz com aquilo que lhes agrada.  Fazer-me um com eles significa esvaziar-me de mim mesmo para dar-lhes espaço na minha vida. Esvaziamento  este que é a própria acolhida amorosa do que eles são. Há certos aspectos  da cultura deles que sei só o tempo me fará compreender, outros talvez, nunca consigam.
O que me faz compreender nossas diferenças é uma profunda simpatia que sinto por eles. Quando uma pessoa se sente amada e acolhida permite fluir  vias por onde possam transcorrer uma relação educativa. Isto aprendi com a minha relação com o verdadeiro mestre – Jesus. Com Ele pude concretizar, vendo seus exemplos, de que é na acolhida verdadeira do outro que tudo se modifica, pois aí nasce uma relação de amor. Neste sentido O trago para entre mim e os nossos jovens, de modo que ele mesmo dá o tom de nossa relação, juntos fazemos nossa caminhada seguindo o expemplo do Ressuscitado. E a medida que vamos fazendo este caminho, crescemos tanto quanto, o Cristo cresce em nós.  Agindo assim a cada dia vou aprendendo a pedir perdão e a perdoar, derrubando cada vez mais todo orgulho humano, a entender uma necessidade sem que o outro a diga, a dizer não sem medo de perder a amizade, a escutar para compreender, a rezar tendo sempre Ele como meta e o Seu rosto sempre diante de mim.
As vezes caio por pensar em querer ver alguns frutos. Mas aos poucos vou compreendendo que a minha missão é semear. Os frutos é o próprio Senhor da merce, que, a seu tempo irá colher. Algumas vezes consigo vislumbrar o desabrochar de um broto, ainda que sei que seja apenas um início fico radiante. São momentos simples numa vida simples, mas, de tão grande intensidade que chega  a me prender a respiração pelo seu encanto. Isto me leva a contemplar a “Face do Mestre”, a mim cabe criar o espaço necessário para  que este feito aconteça.
Quando aqui cheguei, ouvi uma frase que me marcou: onde há vontade, há possibilidade. Neste sentido, parafraseio Guardini: Somente no espaço criado pelo amor , aquele que é amado tem a liberdade de ampliar ao máximo toda a sua estatura.
E finalizo com as palavras de Dom Helder Câmara quando falara sobre missão: “Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fóssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobrí-los e encontrá-los. E, se   para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos ceus, então Missão é partir até os confins do mundo”.
 
 
Adélio Claudino

Adélio e um grupo de estudantes.

Adélio e um grupo de estudantes.

Adélio e um grupo que foi batizado, ele já foi padrinho de alguns.

Adélio e um grupo que foi batizado, ele já foi padrinho de alguns.Adélio e um menino que estuda no internato.


Ontem conheci uma santa!

junho 1, 2009

Bem, queridos primeiramente uma boa semana a todos! Ontem foi um dia muito abençoado, primeiro porque participamos do encontro curados para amar e depois porque participamos do coquetel beneficente em pró das missões na África.

Conhecer o trabalho que a irmã Maria faz lá tocou profundamente meu coração. Ela, como diz o Gilberto, é uma pessoa de Deus, uma santa mulher. Ela trabalha na Costa do Marfim, um país assolado por guerras, doenças e muita, muita miséria. São inúmeros os problemas enfrentados lá, além da diferença cultural que faz com que dificuldades aconteçam os problemas sócio-políticos da região fazem com que a assistência aos mais necessitados se torne um grande desafio.

A irmã Maria, essa pessoa cheia de Deus, enfrentou e enfrenta inúmeros problemas. Ela partilhou sobre o hospital que é mantido com a ajuda de benfeitores italianos e de outras partes do mundo. As verbas ainda são escassas, mas a providência de Deus nunca falha. No hospital, ela trata de pacientes com “buruli”, também conhecida como úlcera Bairnsdale, Daintree, Mossman úlcera e úlcera Searl, é uma doença crônica, doença necrotizante da pele e dos tecidos moles. Buruli úlcera é a terceira doença mais comum entre microbacterianos de hospedeiros imunocompetentes, após a tuberculose e a lepra é a doença que mais atinge pessoas na África, sem citarmos a AIDS, é claro. E é causado pela produtora de toxina micobactéria denominada Mycobacterium ulcerans. Buruli geralmente começa como uma úlcera indolor papule dérmica ou subcutânea nódulo, que, ao longo de um período de semanas a meses, reparte-se para formar uma úlcera necrótica com amplamente prejudicado arestas.

A irmã trata com muito amor os pacientes acometidos por essa terrível doença. Além disso, ela e sua congregação mantém uma escola para crianças e também na capital, mantém uma escola profissionalizante para meninas vítimas da guerra. Coisas terríveis acontecem nas guerras civis, muitas meninas são estupradas e vêem seus familiares morrerem. Os relatos são que famílias são mortas, onde os meninos são obrigados a matarem seus pais e depois presenciam o estupro das irmãs. Meu Deus, quanta desumanidade! Bem, ações concretas de apoio estão sendo realizadas.

A comunidade Obra de Maria, também está presente na Costa do Marfim e está somando na ajuda aos irmãos mais necessitados.

Concluindo, quero dizer a vocês que ouvir tudo aquilo da irmã Maria, me fez refletir, ver que quantas vezes temos tudo e não sabemos agradecer e ainda murmuramos tanto! Na África, normalmente só se faz 1 refeição às 15 horas e nós ainda reclamamos de uma comida mal feita, estragamos comida… Temos tudo e não ainda somos insatisfeitos. Todos deveriam ouvir as palavras da irmã Maria e ver as fotos com cenas tão fortes de doentes com o buruli, pois tenho certeza que reclamariam menos da vida. Tudo o que a irmã partilhou ainda está ecoando o meu coração.

Muitos não podem ir à África, mas podem ajudar daqui do Brasil contribuindo para essa missão. Você também pode nos ajudar, entre em contato conosco. Temos duas casas de missão, uma na Costa do Marfim e outra em Moçambique.

Abaixo segue nosso telefone e email para contatos.

Associação Comunidade Obra de Maria

 doacoes@obrademaria.com.br

Telefone:(81) 3081-4749

www.obrademaria.com.br

 Um forte abraço e lembrem-se juntos somos mais!

Fabiana Paula

Eu e Irmã Maria

Eu e Irmã Maria