Antipatias gratuitas

outubro 30, 2014

antipatias gratuitas

O que lhe faz antipatizar alguém?

 Dar um passo na superação das antipatias gratuitas é um caminho fantástico de libertação. Não podemos expor as pessoas ao nosso desamor. É um pecado contra a caridade, contra o amor ao próximo.

Há uma pergunta que é importante ser feita:

O que eu já alcancei do meu cristianismo? O que em mim ainda não é parecido com Jesus?

Que não seja uma obrigação, mas uma decisão, uma obediência livre e uma consequência da minha decisão de ser cristão.

Vamos ver o que a psicologia nos diz sobre como funciona uma antipatia.

“Em geral, o comportamento do outro nos remete a algo ou alguém que não nos fez bem. A antipatia, nesse caso, é um mecanismo de alerta e defesa que nos faz dar um passo atrás, ficar espertos e observando o outro”, a antipatia será mais forte quanto mais desagradável tiver sido a experiência do passado. “E pode estar também relacionada a valores diferentes dos nossos. Se eu cultivar a humildade, por exemplo, vou me incomodar com pessoas esnobes. Essas diferenças podem dar espaço para que nasça a antipatia”, diz  a psicóloga Daniela Levy em um artigo para a revista UOL. Se eu falar alto e rápido, ao ouvir alguém que fale baixo e lentamente irei ficar incomodada com aquela postura.

Em outros casos, “Se conhecermos pessoas com físico ou jeito que nos lembra de alguém do passado que não nos proporcionou uma experiência positiva, projetaremos sentimentos negativos sobre ela que, às vezes, nem é desse jeito” diz Daniela Levy.

Pessoas tímidas muitas vezes são rotuladas de arrogantes. Essas pessoas costumam ser mais isoladas, não conversam, passam essa impressão errada. Por isso, vale a pena criar uma oportunidade para mudar de ideia.

Há casos também que a antipatia o ciúme, a inveja, ou aquele defeito que ela tem me incomoda porque eu tenho também a mesma limitação e olhar alguém assim me lembra de quem eu sou de verdade. Amar sem esperar nada em troca é o grande desafio do cristianismo.

Eu já fui vítima de antipatias gratuitas, de vez em quando alguém partilha comigo que não ia com a minha cara, me achava chata, metida, sonsa. Mas eu também já julguei outras pessoas, agindo com pré-conceitos, dizendo inverdades de outras pessoas, submetendo-as ao meu julgamento antecipado. Hoje estou mais atenta a detectar quando lanço meu juízo ao outro e tento me aproximar das pessoas para que também elas me conheçam e parem de “pensa e achar” quem eu sou e me conheçam de verdade com minhas limitações e minhas qualidades.

Um grande erro é o “achismo” eu acho isso, eu acho aquilo, ou então “na minha opinião”. Como podemos achar algo de alguém, quando não conhecemos esse alguém? Como atribuir defeitos a alguém que eu nunca nem conversei? Lembrei-me de uma frase do Pe.Fábio de melo bem interessante: “Você sabe quem é você, alguns poucos lhe conhecem. A maioria lhe imagina.” Então, essa “imaginação”, destrói muitas vezes a beleza e a grandeza do outro. Perdemos a oportunidade de crescermos como pessoa e fazermos novas amizades.

E com certeza colocar diante de Deus esse mal estar, esse sentimento negativo de de repúdio ao outro que não fez absolutamente nada contra você e um exercício a ser feito sempre. Rezar pela pessoa, colocá-la diante de Deus, pedir a graça ao Espírito Santo. Santa Teresinha nos ensina: “Ah! agora compreendo que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros e em não se admirar de suas fraquezas”.

Santa Teresinha também viveu a problemática de antipatizar alguém, Havia uma irmã no Carmelo que tinha o “dom” de desagradar em tudo a Teresa. A tática de Teresinha era estar na ofensiva do bem. Não se contentava em evitar as manifestações exteriores de sua antipatia natural, — digamos: “de suas impressões egoístas”. Para vencer-se realmente, vai ao extremo das manifestações de simpatia e de afeição. De fato, essa tática não é somente a mais eficaz, e a mais fácil, a única que dá à alma entusiasmo e alegria: alegria do amor plenamente satisfeito. A vitória foi completa, tão completa, que uma de suas irmãs de sangue, Maria, a mais velha, que também era carmelita queixou-se de que ela amava mais a religiosa em questão do que a ela e suas irmãs, chegou a crer-se que era sua melhor amiga. É assim que combatem os santos. Podemos, pois, crer em Teresa quando nos comunica sua descoberta:

“Apliquei-me — diz ela — a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa mais amada. Cada vez que a encontrava rezava por ela, mas não me contentava com isso, procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis — e quando era tentada a responder-lhe de modo desagradável, apressava-me em dar-lhe meu mais amável sorriso. 

Isso não era falsidade ou hipocrisia, mas a luta pela vivência evangélica!

Peçamos ao Senhor a graça de nos relacionarmos bem uns com os outros e estarmos atentos e dispostos a crescermos e evoluirmos nos gestos de caridade fraterna e deixa cair por terra primeiras impressões que assassinam a verdade do outro.

Deus os abençoe e sigamos firmes na estrada de Jesus.

Fraternalmente,

Fabiana Paula

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Oração da Felicidade

agosto 4, 2014

Felicidade 1

Não chore pelo que você perdeu, lute pelo que você tem.

Não chore pelo que está morto, lute por aquilo que nasceu em você.

Não chore por quem te abandonou, lute por quem está ao seu lado.

Não chore por quem te odeia, lute por quem te quer feliz.

Não chore pelo teu passado, lute pelo teu presente.

Não chore pelo teu sofrimento, lute pela tua felicidade.

Não é fácil ser feliz, temos que abrir mão de várias coisas, fazer escolhas e ter coragem de assumir ônus e bônus para ser feliz.

Com o tempo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante com quem quer e luta para estar com você.

Se engana quem acha que a riqueza e o status atraem a inveja.

As pessoas invejam mesmo é o sorriso fácil, a luz própria, a felicidade simples e sincera e a paz interior.


“É preciso pensar bem de todos, falar bem de todos e querer bem a todos”! (Dom Bosco)

maio 16, 2014

bem

Hoje me veio à lembrança essa frase de Dom Bosco que aprendi da boca do Padre Jonas Abib. Num mundo com tanta maldade, onde cada um cada vive por si mesmo e não está preocupado com nada que não lhe traga benefícios, é difícil entender essa frase, pois ela soa como imprópria, uma utopia ou até mesmo como uma bobagem, coisa de gente “otária” que leva sempre a pior.

Na verdade aí vejo que Dom Bosco quis nos convidar a um esforço diário. Todo dia nas nossas ações devemos filtrar bem aquilo que alimentamos no nosso pensamento, na nossa língua e no desejo para com o outro. Quanta gente perde seu tempo preciso alimentando ressentimentos e mágoas ou preocupado com a vida dos outros, disseminando o mal e o negativismo, sujando a imagem dos outros e esquece-se de viver bem sua vida, descartando os lixos que apodrecem nossa alma e nos tornam pessoas amargas, azedas, insuportáveis.

Dom Bosco escreveu essa frase porque experimentou em sua própria vida o desafio da boa convivência e ele escreveu que “é preciso”, ou seja, é necessário empenhar-se no bem de todos, isso não significa dizer que você precise ter uma convivência próxima com todos, você tem todo o direito de partilhar sua vida e privacidade com quem você escolher e quiser  e não tem obrigação de estar junto de pessoas que não somam nada em sua vida e não querem seu bem. Mas, também isso não significa dizer que você queira o mal para a vida delas, que as julgue e espalhe o veneno da maledicência, destruindo a imagem do outro.

A vida passa rápido demais, aproveite seu tempo e como nos disse São Paulo: “Enquanto temos tempo façamos o bem a todos”(Gal 6.10), a verdade é que tudo vai passar e a única coisa que permanecerá será o AMOR!

“O tempo urge, a eternidade nos espera”! (São João Paulo II)

Fraternalmente,

Fabiana Paula


Perdoar a si mesmo

abril 1, 2014

amar a si mesmoHoje quero partilhar sobre a graça libertadora do perdão.  Muitas vezes precisamos de momentos de autoconhecimento e liberar o perdão para nós mesmos.

Sim, é isso mesmo.  Precisamos perdoar a nós mesmos!

Já partilhei várias vezes e algumas pessoas expressam surpresa com o fato de desconhecerem o auto perdão. Perdoar a si mesmo, voltar a sua história de vida e encontrar os momentos em que você errou e seus erros trouxeram dor e consequências definitivas a você e a outros.

Quantas pessoas se arrependem de atos cometidos, palavras proferidas e de terem alimentado determinado pensamento?

Há pessoas que levam dentro de si culpa, remorso, arrependimento, e tudo isso são inimigos constantes de algumas pessoas e traz junto a humilhação, a vergonha, o medo e a maior consequência: a autopunição.

Para se livrar disso tudo faça uma lista de tudo aquilo que você se culpa, daquilo que fez e não fez. Seja honesto consigo mesmo. Depois, pense sobre as motivações que o fizeram fazer certas escolhas, agir de determinada forma e, ao invés de se culpar, punir ou se castigar, comece a lembrar de que muitas escolhas foram feitas por falta de maturidade, por ignorância, porque era o melhor que se podia fazer naquele momento. Nunca julgue situações passadas com valores do presente. E não se puna por tudo isso, mas procure reconciliar-se com sua história.

Uma maneira de cultivar a culpa é estar sempre exigindo perfeição de si mesmo. A anorexia e bulimia são exemplos disso. Nunca há satisfação consigo mesmo, gerando culpa, insatisfação e uma enorme dificuldade de se perdoar. Tudo que faz poderia ser melhor. Não importa o que faça ou conquiste. Ou o pior, não importa quem se é, parece que nunca é o bastante.

O perdão oferece saída para esse círculo vicioso, como uma escolha consciente de mudança. Será que a verdadeira causa está sendo considerada? Do contrário, tudo tende a piorar. Será que essa fome, esse vazio, não seria a necessidade, também inconsciente, de amor? Por que não buscar a fonte verdadeira que sacia toda fome e sede do nosso coração? O amor de Deus é o verdadeiro amor que preenche todos os vazios e traz paz e felicidade ao coração.

Perdoar a si mesmo exige uma completa honestidade e integridade para que se alcance a cura de tantos males, de tanta falta de amor-próprio. É um processo de reconhecer a verdade, assumir a responsabilidade pelo que fez, aprender com a experiência, reconhecer os sentimentos que motivaram determinados comportamentos, abrir seu coração para si mesmo, ouvir seus medos, curar certas feridas e isso você pode conseguir sendo amoroso e responsável consigo mesmo.

Peça ao Senhor que cure a ferida que mais lhe dói, que Ele cure sua vida emocional. A verdadeira cura começa fazendo as pazes consigo mesmo. O poder curativo do perdão e do amor talvez seja o remédio mais poderoso que temos. E está nas mãos de cada um de nós. E você pode começar com você mesmo! Quem cura e perdoa é Deus, mas somos nós que damos o primeiro passo e aquilo que não podemos fazer, Ele faz!

Faça a experiência e perdoe a si mesmo e após ter liberado o perdão a si mesmo, comece então a perdoar e pedir perdão a todos os outros que fazem parte de sua história. Busque a confissão para alcançar o perdão de Deus diante dos pecados cometidos e uma total libertação.

Vamos rezar juntos:

Senhor Jesus, te peço nesse momento que me ajudes a superar todos os meus erros cometidos, todas as minhas frustrações e arrependimentos. Ajuda-me a entender que não posso mudar os acontecimentos passados, mas que posso refazer minha história perdoando a mim mesmo em primeiro lugar e depois aos que passaram em minha vida. Eu quero Senhor, por isso peço tua ajuda para que eu possa perdoar a mim mesmo e refazer minha história fortalecida em ti, em teu amor e em tua misericórdia.

Obrigada Senhor!  

amar a si mesmo 2


Um ano de Pontificado do Papa Francisco

março 13, 2014

Papa Fancisco 1

Há um ano os católicos do mundo inteiro recebiam com surpresa e imensa alegria a notícia de que o novo Papa viria da América do Sul. Filho de  imigrantes italianos e nascido em Buenos Aires, Jorge Bergolio é o primeiro Jesuíta da história a se tornar Papa.

Escolheu seu nome “Francisco” com inspiração em um dos maiores santos da história: São Francisco de Assis e com certeza ele é sua grande inspiração, pois a cada dia nos ensina o valor da simplicidade, humildade, da valorização dos pequenos e menos favorecidos. Ele não se sente melhor que ninguém, isso me encanta nele, como ele mesmo disse: “Sou um homem normal que ri, chora, dorme tranquilo e tem amigos como todos”.

O Papa Francisco está encantando o mundo com sua maneira de liderar a Igreja e com sua alma amiga e irmã.

Hoje, quando comemoramos um ano de seu pontificado, queremos pedir ao Bom Deus que o abençoe cada dia mais, o inspire, o capacite e o fortaleça e que ele continue sendo esse homem de Deus que nos leva mais e mais a amar a Jesus!

Obrigada por tudo Papa Francisco, Nós te amamos!!!!!

Fabiana Paula


Quaresma 2014

março 7, 2014

Oi gente, Paz e Bem ao coração de todos!

Começamos um tempo lindo em nossa liturgia, o tempo quaresmal. Segue a mensagem do Papa Francisco, uma mensagem de fé, confiança e amor de Deus.

Abraço fraterno e uma ótima quaresma a todos!!!!!

Fraternalmente,

Fabiana Paula

quaresma

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza
(cf. 2 Cor 8, 9)

 Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza»Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

FRANCISCO

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/messages/lent/documents/papa-francesco_20131226_messaggio-quaresima2014_po.html


Garçons da Palavra de Deus?

fevereiro 18, 2014

Garçons

Continuando nossa série de formação para músicos e o tema de hoje é uma pergunta: Somos garçons da Palavra de Deus?

Essa é uma pergunta que pode parecer estranha, esquisita e sem muito sentido para um ministro de música. Mas se pensarmos direitinho na profissão do garçom vamos entender melhor. Ah, eu coloquei na primeira pessoa do plural(nós), pois me incluo em todas as formações que escrevo, sou a primeira que preciso refletir sobre todos os temas que escrevo.

Achei a seguinte definição: “garçons são os funcionários que trabalham em restaurantes ou bares servindo comida e bebida aos clientes”.

Muito bem, esse é o grande risco que corremos, sermos apenas garçons da palavra de Deus, quando levamos até as pessoas o alimento espiritual para os que têm fome e sede de Deus, mas apenas “servimos” e não provamos também. Levamos lindos pratos e as pessoas comem, bebem e saem felizes, saciadas. Lindas canções, muito bem cantadas e executadas, lindos arranjos, lindas letras, belos vocais, grandes músicos, mas o que realmente fica para nós músicos depois de cantar ou tocar? Apenas mais uma apresentação musical? Apenas mais um show? Apenas mais uma missa?

A coisa mais linda da nossa missão de ministros de música é que não somos garçons, pois em primeiro lugar o alimento não é nosso, vem de Deus e nós apenas levamos aos corações das pessoas e o mais importante é que é gratuito, não custa nada, para receber o pão da palavra basta apenas um coração aberto e contrito. A graça é de graça.

Depois, algo importante e fundamental é que ao mesmo tempo em que somos portadores da mensagem do Reino nós também nos alimentamos, somos participantes, convidados e recebemos todas as graças. Então quando ministramos a música não podemos levar algo que não tenhamos provado. Precisamos ser os primeiros a experimentarmos aquilo que cantamos.

Provai e vede quão suave é o Senhor!(Sl 33)

Força, Fé e Coragem a todos nós! Unidos em oração!

Fraternalmente,

Fabiana Paula