Música x Liturgia – Posso cantar o que eu quiser?

Pessoa cantando na missa                                                     Foto: cancaonova.com

Paz e Bem queridos amigos músicos! Nessa nova postagem dedicada aos músicos cristãos dentro da série, “músicos segundo o coração de Deus”, escrevo hoje sobre um importantíssimo tema que é a música e a liturgia.

Liturgia é uma palavra da língua grega que quer dizer: Ação do povo, ação em favor do povo.

É a ação de um povo, reunido na fé, em comunhão com toda a Igreja, para celebrar o Mistério Pascal – Morte e Ressurreição de Cristo, presente na Assembleia, oferecendo-se ao Pai como culto perfeito.

Como o Concilio Vaticano II definiu a liturgia? À luz da Constituição litúrgica  “Sacrossanctum Concilium” – que foi o primeiro documento conciliar, publicado em Roma no dia 4 de dezembro de 1963 -, podemos dizer que é: “ uma ação sagrada pela qual através de ritos sensíveis se exerce, no Espírito Santo, o múnus sacerdotal de Cristo, na Igreja e pela Igreja, para a santificação do homem e a glorificação de Deus” (cf SC, 7).

 Qual o papel da música na liturgia?

Muitos desconhecem a importância e também a função que a música tem nas nossas celebrações, acham que é mais uma oportunidade de cantar e de mostrar todo seu potencial. Deve-se saber separar um show de uma missa, assim como a escolha do repertório deve ser feita com base na liturgia do dia, não é que eu canto o que eu “gosto” ou o que está na “moda” e todos estão cantando por aí. Já ouvi cantores que dizem: “Essa músicas são feias e não vou cantá-las”, o que é uma lástima… Não posso cantar o que eu quero e sim o que se encaixa dentro da liturgia do dia.

Cantar “A missa” e não “na missa”

A música está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a missa, mas ajudar toda a assembleia a rezar. E cada canto deve estar em plena sintonia com o movimento litúrgico que se celebra, a fim de que não se cante “na missa”, mas se cante “a missa”. Outra coisa importante é a altura do som e dos instrumentos que não cause irritação nas pessoas. Os músicos devem chegar cedo para afinar os instrumentos, passar som ou rever alguma canção. De forma especial as cantoras devem ter atenção as roupas que devem ser compostas e discretas. Missa não é show, por isso guitarra e bateria devem ser suaves e devem servir para acompanhar e dar ainda mais vida as canções. Solos e distorções devem ser evitados, assim como para os cantores que gostam de fazer melismas e modulações devem estar atentos para não “roubar” a atenção para si mesmos mas, que sua voz ajude o povo a rezar, a participar melhor da celebração.

Porque tudo isso? Será que estamos podando os talentos de nossos músicos e cantores?

Claro que não… só que cada coisa tem seu lugar e momento e a celebração eucarística tem uma característica importante que deve ser respeitada que é a participação direta das pessoas nas orações de resposta e nos cânticos, por isso deve-se ter cuidado para que não pensemos que estamos num palco em um show onde podemos sim mostrar nosso estilo musical e nosso potencial vocal e sim estamos numa igreja em uma celebração onde não cabem certas coisas.

O que cantar em uma celebração?O que é importante é cantar a liturgia, priorizando aclamações e repostas da assembleia, os textos próprios da Missa, ouvir o povo, ter atenção para o som não estar muito alto, abafando assim as vozes das pessoas.

Critérios do canto litúrgico:

  1. Sejam de inspiração bíblica;
  2. Tenham referência ao mistério pascal;
  3. Leve em conta a realidade do povo.

Cantos Litúrgicos X Cantos de Animação:

  1. Cantos de Animação: São cantos com mensagens religiosas e ritmos de animação, que são cantos em encontros, grupos de oração, peregrinações.
  2. Cantos Litúrgicos: Cantos adequados aos ritos da liturgia.

2.

Os momentos da celebração Eucarística:

1. Entrada: Abrir a celebração, promover a reunião da assembleia e introduzir a mente e o coração no ministério a ser celebrado. É um canto alegre e não de repouso, com a função litúrgica de reunir o povo e unificar a assembleia, bem como acolher o celebrante e equipe.

2.  Ato Penitencial: É um canto de oração, sendo um pedido de perdão, devendo-se usar a forma do “kyrie eleison”( Senhor tende piedade de nós, Cristo tende piedade de nós e Senhor tende piedade de nós).

3.  Glória: Da mesma forma que o canto penitencial, o Glória tem sua forma própria, tem sua forma própria e deve ser cantado dentro do texto litúrgico. É reservado aos domingos (exceção ao tempo do advento e da quaresma) e às festas e solenidades.

4. Salmo Responsorial: Este é o único que é essencialmente um Salmo ou canto bíblico. Tem a função de ser um eco da palavra de Deus, uma resposta, uma verdadeira meditação. Deve acompanhar o texto bíblico na íntegra conforme está no missal romano. Sua melodia deve ser de fácil assimilação para que os membros da assembleia possam aprender de forma rápida.

5. Aclamação: Por serem assentimentos energéticos, à palavra e ação de Deus, a participação deve ser solene por toda a assembleia. Durante a quaresma, o refrão aleluia, é substituído por outro texto aclamativo.

6. O Creio: Se for cantado, que seja numa simples cantilena e não numa extensa estrutura musical. Deve manter o conteúdo do símbolo apostólico tradicional.

7. Preparação das Oferendas: Sua função é acompanhar a procissão dos dons, dar maior significado à coleta e acompanhar o rito de preparação das Oferendas.

8. Santo: Inicia o centro e o cume de toda a celebração eucarística, que é a narrativa da instituição. Seu sentido é que toda a congregação dos fieis se uma a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus. Deve-se respeitar sua forma e texto.

9. Pai-Nosso: Uma preparação para a comunhão com o Senhor. Deve ser rezado (cantado) com dicção calma e compassada, de pausas e de canto leve, quando cantado, deve manter os termos da oração ensinada pelo próprio Jesus Cristo aos discípulos.

10. Canto de Comunhão: Acompanhar e solenizar a participação dos fiéis à Eucaristia e a caridade fraterna e comunhão no mistério pascal de Jesus Cristo. Cânticos com referência ao mistério pascal e as leituras bíblicas do dia.

11. Ação de graças: São três possibilidades para realizar o agradecimento: Seja um momento de silêncio ou um canto instrumental ou um canto de agradecimento.

12. Canto de despedida: Canto de “desfazimento” da Assembleia, que estimula para a semana e para a missão.

Fraternalmente,

Fabiana Paula

Fonte em algumas partes do texto: http://www.cnbb.org.br/component/docman/doc_view/343-principios-da-musica-liturgica

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