Missão da Obra de Maria em Moçambique – África.

Queridos do meu blog,

segue abaixo um novo relato de nosso missionário Adélio, na Missão de Moçambique. Sei que é um pouco longa a matéria, mas vale a pena, vocês não irão se arrepender.

Abraço fraterno e Boa Semana a todos.

Fabiana Paula.

A Missão de Dombe localiza-se na província de Manica, na Diocese de Chimoio. Surgiu há 80 anos, com o objetivo de favorecer aos jovens uma oportunidade de frequentarem a escola ficando internos na missao, uma vez que, estes jovens moram em lugares muito distantes da escola.
Os jovens internos são 190 entre rapazes e moças, numa faixa etaria de 13 a 23 anos. Em sua maioria falam a língua da província local o Ndal, mas há também alguns de províncias visinhas que falam o Chona, Chimanica, Tiute.
Daqui do internato sairão futuros líderes comunitários, pais e mães de família, catequistas, sacerdotes, médicos, advogados, agrônomos, enfim, por isso o objetivo de formá-los nos princípios básicos da cidadania, ética, vida moral e religiosa, para que esses jovens possam alcançar a realização pessoal dentro do plano de Deus para cada um. Ajudá-los a crescer como pessoa humana é um desafio de absoluta prioridade.
Parece-me que de uma forma globalizada a figura do educador está um pouco banalizada, os livros, artigos e revistas sobre educação abordam a crise sobre a qual esta passa, e aqui na África não é diferente, todavia, quando se há um empenho e objetivos com pessoas humanas como os que citei acima, é preciso encontrar a “coragem de educar”, mesmo ante a desafios étnicos e culturais como os que encontramos aqui na missão.
Confesso que por vezes não me sinto corajoso, mas encontro esta, contida na beleza dentro dessa tarefa tão difícil quanto fascinante, pois o que tenho a oferecer é a pouca experiência, mesmo que ainda seja algo pessoal, creio ser possível, ser acrescentada como novos conhecimentos  e partilhada com o fim de gerar novos frutos.
Ao começar o trabalho educativo aqui na missão, talvez pelo fato de que este me apaixonara, já tive logo várias idéias a respeito, contudo, sei que só o tempo obtido na convivência com os jovens é que me dirá o que poderá ser ou não aplicado, pois, bem sei que, na educação as teorias devem ser adaptadas com as realidades vigentes. Neste sentido, afirmo que, é a vida  cotidiana com o rapazes e moças do nosso internato, viver a existência deles, que é feita de tantas nuances, de forma que percebo muito mais riquezas do que todas as teorias antes já estudada, e ainda que tenha formação acadêmica, vejo que aqui na prática se faz a verdadeira aquisição do conhecimento. Aqui em meio a eles sou apenas um aprendiz que busca a cada dia experimentar como se pode querer bem a estes irmãos e irmãs que o Senhor me deu. Eu os observo, acompanho-os, esforço-me para compreender os seus dias, seus sentimentos, seus humores, diferenças de caráter, seus sonhos, expectativas, cansaços, vê-los crescer e tornarem-se adultos. Procuro estimular sua curiosidade pelo estudo, uso da liberdade pessoal e autonomia intelectual, o conhecimento,  o gosto pela vida espiritual, os valores éticos e humanos.
As vezes, tenho a impressão de tê-los nas mãos. Pouco depois, porém, surge uma nova situação e me perco, nao sei como agir. Busco uma fuga para rezar e peço ao Bom Deus a força para continuar  e não desejar abandoná-los. Para eles vejo que é importante saber que eu estou ali, e que me encontrarão quando tiverem necessidade, eles sabem que podem contar comigo a qualquer hora e para qualquer motivo.
Fazer-me um com eles, vejo que tem feito uma grande diferença, isto não é apenas compartilhar de suas experiências, o lazer, o estudo, a oração, o alimento, as incertezas, nem tão pouco, sentir-me feliz com aquilo que lhes agrada.  Fazer-me um com eles significa esvaziar-me de mim mesmo para dar-lhes espaço na minha vida. Esvaziamento  este que é a própria acolhida amorosa do que eles são. Há certos aspectos  da cultura deles que sei só o tempo me fará compreender, outros talvez, nunca consigam.
O que me faz compreender nossas diferenças é uma profunda simpatia que sinto por eles. Quando uma pessoa se sente amada e acolhida permite fluir  vias por onde possam transcorrer uma relação educativa. Isto aprendi com a minha relação com o verdadeiro mestre – Jesus. Com Ele pude concretizar, vendo seus exemplos, de que é na acolhida verdadeira do outro que tudo se modifica, pois aí nasce uma relação de amor. Neste sentido O trago para entre mim e os nossos jovens, de modo que ele mesmo dá o tom de nossa relação, juntos fazemos nossa caminhada seguindo o expemplo do Ressuscitado. E a medida que vamos fazendo este caminho, crescemos tanto quanto, o Cristo cresce em nós.  Agindo assim a cada dia vou aprendendo a pedir perdão e a perdoar, derrubando cada vez mais todo orgulho humano, a entender uma necessidade sem que o outro a diga, a dizer não sem medo de perder a amizade, a escutar para compreender, a rezar tendo sempre Ele como meta e o Seu rosto sempre diante de mim.
As vezes caio por pensar em querer ver alguns frutos. Mas aos poucos vou compreendendo que a minha missão é semear. Os frutos é o próprio Senhor da merce, que, a seu tempo irá colher. Algumas vezes consigo vislumbrar o desabrochar de um broto, ainda que sei que seja apenas um início fico radiante. São momentos simples numa vida simples, mas, de tão grande intensidade que chega  a me prender a respiração pelo seu encanto. Isto me leva a contemplar a “Face do Mestre”, a mim cabe criar o espaço necessário para  que este feito aconteça.
Quando aqui cheguei, ouvi uma frase que me marcou: onde há vontade, há possibilidade. Neste sentido, parafraseio Guardini: Somente no espaço criado pelo amor , aquele que é amado tem a liberdade de ampliar ao máximo toda a sua estatura.
E finalizo com as palavras de Dom Helder Câmara quando falara sobre missão: “Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fóssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilômetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobrí-los e encontrá-los. E, se   para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos ceus, então Missão é partir até os confins do mundo”.
 
 
Adélio Claudino

Adélio e um grupo de estudantes.

Adélio e um grupo de estudantes.

Adélio e um grupo que foi batizado, ele já foi padrinho de alguns.

Adélio e um grupo que foi batizado, ele já foi padrinho de alguns.Adélio e um menino que estuda no internato.

2 Responses to Missão da Obra de Maria em Moçambique – África.

  1. Paloma disse:

    Fabiana,
    Confesso me emocionei bastante com este depoimento de Adélio.
    Achei muito inspiradora esta missão – dá vontade de deixar tudo e ir pra lá tb :)!!!
    Como o Amor de Deus está presente em cada palavra deste texto, como Ele se deixou revelar através desta missão…
    Imagino que as dificuldades são mesmo imensas. Semear sem poder colher os frutos a princípio não é uma tarefa animadora, mas, creio – e dá pra sentir através deste relato – que ver “desabrochar os pequenos brotos” reacende a esperança, dá um novo impulso para continuar, seguir em frente lançando outras sementes como o olhar fixo em Deus, na certeza de que, a Seu tempo, os frutos virão e Ele colherá.
    Vejo este depoimento como um fruto do Senhor para todos nós que estamos aqui, tão distantes e ao mesmo tempo tão próximos destes nossos irmãos…
    Através do Carisma, somos um, estamos sempre unidos!! E o que Deus faz em cada um, de certa forma faz em todos nós!!!
    Que possamos todos nós, deixar ecoar em nossos corações este exemplo de Amor e Doação que acabamos de ler, que possamos todos aprender a cada vez mais “esvaziar-nos de nós mesmos para dar aos outros espaços em nossas vidas. Esvaziamento este que é a própria acolhida amorosa do que eles são.”
    Que possamos aprender a acolher, amar, nos doar sempre mais!!!!
    Muito obrigada Adélio, por nos transmitir tão bem a missão que o Senhor tem te confiado!!! Jamais seremos os mesmos depois da África… 🙂 🙂
    E obrigada, Fabi, por mais uma vez ser instrumento de Deus na minha vocação!!!
    Paz e Bem!!!

  2. Fatima Santana disse:

    A paz do Senhor Jesus.
    Fabiana, faço minhas as palavras deixadas pela Paloma. Confesso que este desejo tb faz parte do meu coração. Mas na minha realidade aqui vou fazendo aquilo que o Senhor deseja dentro da minha missão de consagrada. Desejo do fundo do coração que os missionário de Dombe, possam encontrar em cada “evangelizado” o rosto de Cristo, na alegria e na certeza que Deus está no meio deles. Que Deus possa abençoar e guardar cada missionário da Comunidade Obra de Maria, espalhados no mundo inteiro.Amém.

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